Millôr

Cora conta que Millôr Fernandes, com quem é casada, conforma-se com o fato de não ser possível controlar o que circula em seu nome na internet, “mas não consegue deixar de ficar indignado com a qualidade das coisas que atribuem a ele. ‘Mas é isso que pensam de mim?!’, ‘Quer dizer que acham que eu escreveria uma babaquice dessas?!’ e por aí vai.”
De uma matéria sobre textos falsamente atribuídos a escritores famosos.

(…)

Sendo assim, quantos telefones celulares terá Millôr Fernandes?
– Nenhum. Não preciso de telefone celular.
Não se trata de aversão à tecnologia. Já em 1986, Millôr comprou um computador, para espanto dos amigos.
– Eles me perguntavam: “Para que você quer isso?” Ora, o computador, já naquela época, em que não existia Internet, era muito melhor do que a máquina de escrever!
Agora, Millôr tem o seu próprio site, lê todos os e-mails que recebe, responde os que pode, opera programas que o ajudam no trabalho.
– Mas não me venham com essa história de upgrade. O upgrade não me pega mais.
Em entrevista ao Zero Hora. Imagino a opinião do Millôr sobre atualizações automáticas…

(…)

“Quando abro o Google e procuro o que procuro, no mundo inteiro ou aqui na esquina, fico besta com os robôs que sabem tudo, encontram tudo, traduzem tudo. Traduzem, ah! Peraí, já vivi muito disso. Não vão tirar de mim uma atividade da qual ainda posso precisar num amanhã qualquer, ou mesmo amanhã de manhã”.
Millôr duelando com o Google Translate.

(…)

“Não é implicância porque parece que eu estou com raiva, né? Não é isso. Você pode dizer implicância, mas o que eu tenho é um certo desdém. Essa discussão se a Capitu deu ou não deu é como discutir o sexo dos anjos. Eu fiz um artigo sobre Dom Casmurro. Algumas pessoas me apóiam, outras não. Mas é como se eu estivesse falando mal do Machado de Assis e não é isso. É que eu publiquei dez ou 12 frases do romance provando que ele, dom Casmurro, é homossexual. Eu não digo “bicha”, que é pejorativo. É um homossexual, entende? E naquela época, ele tinha que ser enrustido porque, infelizmente pra ele, ainda não havia o movimento gay [risos]. Agora, veja bem, daí em diante eu fiz uma extrapolação que me foi natural. Quem é Machado de Assis? É um mulato, filho de uma lavadeira, com todo um temperamento de querer ficar bem na sociedade. E que eu saiba – pode até ser ignorância minha, admito – mas que eu saiba, não tem mulher alguma na vida dele. Ele não comeu ninguém! E eu tenho um certo desconforto com homem que não come ninguém. Eu acho que o homem tem que comer alguém [gargalhadas]”.
Millôr, respondendo sobre uma suposta implicância sua com Machado de Assis para a Playboy.

(…)

“Ninguém ignora que a internet é 90% lixo. Mas os outros 10% são excelentes. Do lixo nos chegam 100%. Do excelente nos chega 1%.”

Valeu, Millôr.

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